segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Memória aos Bem-Aventurados André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, Presbíteros e Companheiros Mártires.

03 de Outubro

Hoje celebramos a Páscoa de Cristo Jesus na páscoa do martírio dos padres André de Soveral e Ambrósio Francisco. Em 1645, juntamente com 28 leigos, morreram testemunhando a fé em Cristo no engenho de Cunhaú e Uruaçu, no Nordeste do Brasil. O martírio é o maior testemunho de fé, pois o que nos salva verdadeiramente é o amor afetivo ao próximo, bem próximo, principalmente.
Quando estudamos a história do nosso país – Brasil – nos deparamos com as invasões holandesas ocorridas no século seguinte ao descobrimento.
“Estas invasões iniciaram em 1624 até o ano de 1630 e foram dominando todo o nordeste. O Príncipe Maurício de Nassau governou Pernambuco com habilidade e atraiu a amizade dos brasileiros. Em 8 de dezembro de 1633 os holandeses chegaram à Capitania do Rio Grande (Rio Grande do Norte – hoje).
Nesta região havia o engenho de Cunhaú, importante centro da economia da capitania e no seu entorno tinha a capela de Nossa Senhora das Candeias e ao redor viviam diversos colonos e suas famílias. Em função da crise causada pelas autoridades hostis à Igreja e pela busca de novos fiéis pelos pastores calvinistas que desejavam liderar a região começou a haver muitos conflitos. O calvinismo era a principal religião da Holanda. Com o tempo esta situação transformou-se numa grande perseguição religiosa culminando com os massacres de Cunhaú e Uruaçu. Em 15 de julho chegou a Cunhaú soldados holandeses, indíos e um chefe, Jacó Rabe, com seu bando que sempre deixava rastros de violência por onde passava. Foi marcado para o dia seguinte uma convocação à população para ouvir as ordens do Supremo Conselho Holandês do Recife. No dia seguinte, domingo, 16 caiu uma forte chuva alagando toda a região, impedindo um grande número de pessoas de comparecer à esta reunião. Os fiéis chegaram em grupos de famílias para cumprir o preceito dominical onde também deveria acontecer esta reunião e, Pe. André de Soveral iniciou a missa... no momento da consagração a um sinal de Jacó Rabe foram fechadas as portas da igreja e começo um grande canificina. O Pe. André foi morto pelo índios potiguaras que não deram importância aos seus apelos em língua indígena o qual era tão versado. A forma como os fiéis morreram foram de verdadeiros mártires. Eles aceitaram voluntariamente o martírio por amor a Cristo, pois seus assassinos agiam em nome de um governo que hostilizava abertamente a Igreja Católica. Das setenta pessoas martirizadas apenas duas foram beatificadas: André de Soveral e Domingos de Carvalho.
A notícia do massacre de Cunhaú espalhou-se por todo o nordeste causando pânico na população por temer novos ataques. Pe. Ambrósio Francisco Ferro, Antônio Vilela, Francisco de Bastos, Diogo Pereira e José do Porto se refugiaram na Fortaleza dos Reis Magos, outros moradores assumiram sua própria defesa erguendo um forte na cidade de Potengi a 25 km de Fortaleza.  Jacó Rabe prosseguia com seus crimes e todos resistiram o mais que puderam, por 16 dias até que vieram as artilharias oriundas da Fortaleza dos Reis Magos e se entregaram.
Cinco reféns foram levados à Fortaleza: Estevão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, João da Silveira e Simão Correia. Os holandeses decidiram eliminá-los levando-os rio acima para o porto de Uruaçu. Lá os esperava o indígena potiguar Antônio Paraopaba e um pelotão armado de índios. Este chefe indígena fora educado na Holanda e convertido a religião calvinista. Assim que chegaram ordenaram que todos se despissem e ajoelhassem e deram início a carnifina. Antes de receberem a palma do martírio na Glória do céu, o mínimo que lhes aconteceu foi terem olhos, orelhas e línguas arrancadas, orgãos sexuais cortados e colocados em suas bocas... ainda vivos! Os que não morreram por essas e outras crueldades começaram a ter seus membros cortados até seus corpos serem feitos em pedaços.
O contraste desta violência está na atitude serena e profundamente cristã das vítimas. A caracterização do martírio pela fé foi a presença de um pastor protestante calvinista tentando fazê-los renunciar à Igreja Católica em conversão à religião dos holandeses, mas enquanto eram massacrados confessavam em voz alta que morriam na verdadeira fé. A morte destes santos homens ocorridas em 3 de outubro de 1645,não eram por apenas perseguição política, pois não queriam trair o Rei, o soberano português, mas principalmente por não quererem cerder aos hereges calvinistas e trair a Religião Católica. Em Uruaçu foram mortos os principais moradores de Natal, calcula-se cerca de 80 pessoas.”
O texto completo é muito mais detalhado um verdadeiro retorno a história do nosso país que deixamos lá atrás nos bancos das escolas... mas nunca aprofundado desta maneira. E na Igreja Católica a memória destes mártires é pouco conhecida.

No entanto no evangelho de hoje, Lc 10, 25-37, fica bem claro que a mesma misericórdia que nosso Deus tem por nós, devemos ter por nossos irmãos e irmãs próximos de nós. Devemos nos solidarizarmos com os mais distantes sim, como por exemplo, os nossos irmãos e irmãs africanos mas, não podemos nos esquecer dos próximos de nós. “Faze isso e viverás”.
Este texto foi baseado no acesso que fiz pela internet no dia de hoje, 3/10:

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