03 de Outubro
Hoje
celebramos a Páscoa de Cristo Jesus na páscoa do martírio dos padres André de
Soveral e Ambrósio Francisco. Em 1645, juntamente com 28 leigos, morreram
testemunhando a fé em Cristo no engenho de Cunhaú e Uruaçu, no Nordeste do
Brasil. O martírio é o maior testemunho de fé, pois o que nos salva
verdadeiramente é o amor afetivo ao próximo, bem próximo, principalmente.
Quando
estudamos a história do nosso país – Brasil – nos deparamos com as invasões
holandesas ocorridas no século seguinte ao descobrimento.
“Estas invasões iniciaram em
1624 até o ano de 1630 e foram dominando todo o nordeste. O Príncipe Maurício
de Nassau governou Pernambuco com habilidade e atraiu a amizade dos
brasileiros. Em 8 de dezembro de 1633 os holandeses chegaram à Capitania do Rio
Grande (Rio Grande do Norte – hoje).
Nesta região havia o engenho de
Cunhaú, importante centro da economia da capitania e no seu entorno tinha a
capela de Nossa Senhora das Candeias e ao redor viviam diversos colonos e suas
famílias. Em função da crise causada pelas autoridades hostis à Igreja e pela
busca de novos fiéis pelos pastores calvinistas que desejavam liderar a região
começou a haver muitos conflitos. O calvinismo era a principal religião da
Holanda. Com o tempo esta situação transformou-se numa grande perseguição
religiosa culminando com os massacres de Cunhaú e Uruaçu. Em 15 de julho chegou
a Cunhaú soldados holandeses, indíos e um chefe, Jacó Rabe, com seu bando que
sempre deixava rastros de violência por onde passava. Foi marcado para o dia
seguinte uma convocação à população para ouvir as ordens do Supremo Conselho
Holandês do Recife. No dia seguinte, domingo, 16 caiu uma forte chuva alagando
toda a região, impedindo um grande número de pessoas de comparecer à esta reunião.
Os fiéis chegaram em grupos de famílias para cumprir o preceito dominical onde
também deveria acontecer esta reunião e, Pe. André de Soveral iniciou a missa...
no momento da consagração a um sinal de Jacó Rabe foram fechadas as portas da
igreja e começo um grande canificina. O Pe. André foi morto pelo índios
potiguaras que não deram importância aos seus apelos em língua indígena o qual
era tão versado. A forma como os fiéis morreram foram de verdadeiros mártires.
Eles aceitaram voluntariamente o martírio por amor a Cristo, pois seus
assassinos agiam em nome de um governo que hostilizava abertamente a Igreja
Católica. Das setenta pessoas martirizadas apenas duas foram beatificadas:
André de Soveral e Domingos de Carvalho.
A notícia do massacre de Cunhaú
espalhou-se por todo o nordeste causando pânico na população por temer novos
ataques. Pe. Ambrósio Francisco Ferro, Antônio Vilela, Francisco de Bastos,
Diogo Pereira e José do Porto se refugiaram na Fortaleza dos Reis Magos, outros
moradores assumiram sua própria defesa erguendo um forte na cidade de Potengi a
25 km de Fortaleza. Jacó Rabe prosseguia
com seus crimes e todos resistiram o mais que puderam, por 16 dias até que
vieram as artilharias oriundas da Fortaleza dos Reis Magos e se entregaram.
Cinco reféns foram levados à
Fortaleza: Estevão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de
Souza Pereira, João da Silveira e Simão Correia. Os holandeses decidiram
eliminá-los levando-os rio acima para o porto de Uruaçu. Lá os esperava o
indígena potiguar Antônio Paraopaba e um pelotão armado de índios. Este chefe
indígena fora educado na Holanda e convertido a religião calvinista. Assim que
chegaram ordenaram que todos se despissem e ajoelhassem e deram início a
carnifina. Antes de receberem a palma do martírio na Glória do céu, o mínimo
que lhes aconteceu foi terem olhos, orelhas e línguas arrancadas, orgãos
sexuais cortados e colocados em suas bocas... ainda vivos! Os que não morreram por
essas e outras crueldades começaram a ter seus membros cortados até seus corpos
serem feitos em pedaços.
O contraste desta violência
está na atitude serena e profundamente cristã das vítimas. A caracterização do
martírio pela fé foi a presença de um pastor protestante calvinista tentando
fazê-los renunciar à Igreja Católica em conversão à religião dos holandeses,
mas enquanto eram massacrados confessavam em voz alta que morriam na verdadeira
fé. A morte destes santos homens ocorridas em 3 de outubro de 1645,não eram por
apenas perseguição política, pois não queriam trair o Rei, o soberano português,
mas principalmente por não quererem cerder aos hereges calvinistas e trair a
Religião Católica. Em Uruaçu foram mortos os principais moradores de Natal,
calcula-se cerca de 80 pessoas.”
O
texto completo é muito mais detalhado um verdadeiro retorno a história do nosso
país que deixamos lá atrás nos bancos das escolas... mas nunca aprofundado
desta maneira. E na Igreja Católica a memória destes mártires é pouco
conhecida.
No
entanto no evangelho de hoje, Lc 10, 25-37, fica bem claro que a mesma
misericórdia que nosso Deus tem por nós, devemos ter por nossos irmãos e irmãs
próximos de nós. Devemos nos solidarizarmos com os mais distantes sim, como por
exemplo, os nossos irmãos e irmãs africanos mas, não podemos nos esquecer dos próximos
de nós. “Faze isso e viverás”.
Este texto foi baseado no acesso que fiz pela internet no dia de hoje,
3/10:
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